sábado, 16 de dezembro de 2017

POETANDO


Entre versos
E reversos...
- Os meus versos.

Entre cantos
E recantos...
- Meus encantos.


Entre risos
E sorrisos...
- Os meus risos.


Entre amores
Desamores...
- Meus amores.


Entre afetos,
Desafetos...
- Meus afetos.


Entre encontros,
Desencontros...
- Meus encontros.


Entre vidas
Revividas...
- Minha vida!

Rio 14/12/2017 JGAires.

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

SETENTA ANOS



Setenta anos não são setenta dias,
Nem os sete anos da segunda infância
São setenta invernos de noites frias
Setenta primaveras a inalar fragrância!

Setenta anos não são meros segundos
Frações de tempo ou fáceis equações.
É muito chão, é percorrer dois mundos,
- Um de certezas e outro de paixões.

Edificar um lar e ver partir os filhos.
É dilatar o tempo e encurtar caminhos.
É ruminar saudades escutando estrelas!

É envelhecer o rosto conservando o brilho.
É fazer amigos e retribuir carinhos
É viver mil vidas e não puder detê-las.
       
 Rio, 02/12/2017, Jailda Galvão Aires
      
         Rio, 02 de dezembro de 2017

SETENTA PRIMAVERAS



Divagando em sonhos e doces quimeras
A minha menina passeia nos jardins.
Alinhando flores - setenta primaveras,
Entre lírios, rosas, e belos jasmins.

Vi como ontem, esta garota esperta
Passar frios invernos e verões ao mar.
Felicitar a vida a cada descoberta
Contando estrelas, brincando ao luar.

Amou e foi amada no primeiro abrigo
Recebeu dos pais amor e educação.
Uma rica infância com os irmãos amados

E hoje abraçando a cada um amigo.
Beija o esposo em plena comunhão
E agradece a Deus os filhos abençoados.
   Rio,b02/12/2017. Jailda Galvão Aires

sábado, 25 de novembro de 2017

EU, POEIRA E ALMA

Pouco me importa
- Que eu seja poeira cósmica
De estrelas em brasas
-Cinzas policromadas
De algum vulcão extinto.
Ou partículas rochosas
Preservando animais e rosas  

Pouco me importa
- Que eu seja algas mumificadas
De mares remotos
- Ciscos de cristais caindo em neve
De algum arco-íris breve.

 Pouco me importa
- Que eu seja areia branda
Aonde se deitam rios e mares
- Faíscas de meteoros
Ralados pela atmosfera...
- Ou tempestades de pó 
Voando pelos ares. 

Sei que um dia... 
O meu corpo voltará à argila 
Que alimenta a Terra semimorta
Mas o - O meu espírito
- Que me liga ao eterno EU SOU
Voltará ao Hálito do Pai
Que a vida em mim soprou.
Isto me importa.
        Jailda Galvão Aires. Salvador, 08/01/2015

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

HIPÉRBOLE DO PENSAR

Perco-me na hipérbole dos meus pensamentos
Ora ricos, ora fracos, inocentes ou fantasiosos
São sonhos que me acalentam nas fugas medrosas
Que me fazem fugir de uma realidade grosseira,
Numa carreira desenfreada, sem certeza da partida
Sem desejo de chegada. Nem sei mesmo se parti.


Onde está a terra prometida, onde jorra leite e mel?
Será que fica na Terra ou existe um Éden no céu ?
Homens se matam , se explodem em nome do Criador,
De um Deus que eles criaram, humanamente cruel.
E pensar que Deus criou o homem à sua própria imagem.
E a Sua imagem e semelhança é puramente amor.


Dois mil anos se passaram e nada mudou.
Rejeitaram o Revolucionário, que entrelinhas e parábolas
Pregou o poder do amor e a grandeza da compaixão.
- “Bem-aventurados os misericordiosos e os pacificadores.”
- Os que repartem o pão e suas vestes, consolam os aflitos,
Limpam feridas do corpo e da alma, sussurram consolo,
Bem-aventurados os mansos de coração, os justos em sua justeza,
Porque deles é o reino dos céus. E assim serão espelhos de Deus.”



Na hipérbole do meu pensar, quão infinito é o infinito,
Distante as estrelas e intocável o céu. Onde Deus se esconde?
Dois mil anos se passaram e na criação de tantos engenhos
De máquinas que diluem distâncias, e descortinam o mundo,
O homem não conseguiu perscrutar a Voz que encurtou o céu,
Quando um dia, do alto de uma montanha, revelou o segredo:
- O reino de Deus não está na imensidão azul do firmamento,
mas dentro de vós mesmo, na força e plenitude do amor.
Rio, 05.03.2010, Jailda Galvão Aires

MULTIVERSO II

  Intermináveis teorias
denegam o que antes era irrefutável.
E para este fim infindável
quantas cabeças rolaram...
e quantos “nóbeis” desmistificados. 

Dois corpos não ocupam o mesmo espaço”
Mas “num mesmo espaço
Coabitam tempos diferentes”.

Parece incoerente!?

Pois digo com toda propriedade:
Se rasgarem o coração de uma mãe
Verão todos os filhos unificados
Igualmente amados e alinhados,
No mesmo espaço e no mesmo tempo.

Nas suas entranhas,
Dois ou mais corpos nutrem-se do
mesmo sustento.
Vidas crescem dentro de sua vida,
Onde palpitam mais de um coração,
Cérebros, espíritos e inteligências,
Numa única e milagrosa existência.

Se quiserem levem-me à julgamento
Que a ciência rasgue a minha teoria
Mas não ocultará a verdade dos meus versos.

Todo o universo feminino me absolverá
E toda mãe, por certo, me advogará.
Pois o nosso ventre, no mesmo espaço e tempo
É o céu, que sempre parirá multiversos.
 
Rio, 04 de setembro de 2011.
 Jailda Galvão Aires

MINHA MÃE



          Minha mãe é tão bonita
      Poema que a alma dita.
      Puro amor em profusão.
      Minha mãe é tão catita
      Que mesmo o maior artista
      Não lhe pinta a perfeição 

     Suas mãos tão calejadas
     Escondem dedos de fadas
      Que o tempo não mudou não
     Trabalho e tantas jornadas
     Suas mãos foram talhadas
     Pra servir ao coração. 

      Seu cabelo solto, leve...
      Parece com fios de neve
      Branquinho como algodão
     Nas marcas que a vida tece
     São como gotas de prece
     De um rosário de oração. 

      Seu olhar negro e profundo,
     Em prece pede que o mundo
     Tenha mais fé e união
     Seu amor é oriundo,
     Dá fé em Deus que no fundo,
     Lhe enobrece o coração.           

     Minha mãe que embalou berço
      Seus conselhos eu não esqueço.
     Seguindo-os sem hesitação.
     Orando com todo apreço
     Em prece a Deus eu agradeço
     Minha mãe, minha canção!
                                      ...
     Minha mãe é mais bonita
     Hoje, aos pés do Grande Artista.
     O "EU SOU" da Criação
     Na Cidade Prometida
     Todo o esplendor ela fita
     Na mais feliz comunhão.