quinta-feira, 15 de julho de 2010

Versejando

Se os versos versejam
Versáteis que sejam,
Quem tem dó de mim?
Se forem mal feitos
Exprimem meu peito
Não ferem assim.

Se os versos que verso,
Anversa meu avesso
Versados não são.
É vero o que digo,
São pobres, não ligo,
Que importa a versão.

Os versos versados
Vernaculizados,
Sinceros serão?
Perfeitas poesias,
Mesclando ironias

Verossímeis? Não.

Meus vívidos versos
Vividos ao avesso,
Quem sabe de mim?
Se vesgos, assimétricos,
São puros meus versos,
Não os tratem assim

Se as letras que vergo,
Delgadas, as envergo,
Mostrando quem sou
Não escondo nos versos
Meus ais, meus reversos,
versejando me vou.

Prefiro meus versos
Que as rimas, não meço,
São pobres, mas meus.
Reversos da alma
Versando me acalma
Meus versos sou eu.

Rio, 11/10/2008.

sábado, 10 de julho de 2010

Tributo a minha mãe


Minha mãe era pequena,
Mais leve que uma pena,
Mais frágil que um papel.
Mas tinha tanta firmeza,
Tanta fé, que com certeza,
Vinha de uma fonte do céu.

Vovó, morrendo, partiu,
Vovô também desistiu,
De viver, sem o seu amor
Saiu pela vizinhança,
Distribuiu as crianças,
P’ro céu então se mudou.

Foi triste a separação,
Em cada casa um irmão,
Em cada peito uma dor.
Mas crescendo a semente
De Deus, plantada na mente,
Cada um foi vencedor.

Mais tarde se encontraram,
Nunca mais se separaram,
Minha mãe e seus irmãos.
Reconstruíram suas vidas,
E minha mãezinha querida,
Uniu-se em dois corações.

Nosso lar era singelo,
Mas parecia um castelo
com torres tocando o céu,
Minha mãe nos educava,
E com meu pai, trabalhava.
Dividindo um só troféu.

De dia ensinava a gente
Plantando nova semente
Do escrever, ler e somar.
Quando chegava a noitinha,
As nossas mãos em conchinhas,
Hora sagrada de orar.

Que saudades dona Zilda,
Carrego na minha vida,
Suas canções de ninar,
No seu peito me alinho,
Como um filhote no ninho,
Querendo ainda escutar:

“Dorme. dorme, filhinha,
Meu anjinho inocente,
Dorme, dorme queridinha,
Que mamãe está contente.”