domingo, 11 de dezembro de 2011

MULTIVERSO III


Na nave dos meus versos
Livremente navego sem máquinas do tempo
E sem utópicas expedições científicas.
Transponho o universo
Na esteira dos meus pensamentos
Transmutando espaços entre o futuro e o presente
Unificados por um fio tênue e imperceptível,
Embebido num fluido etéreo e permanente.

Medidas hoje são subjetivas.
A quântica as relativizou.
O horizonte que delineio,
Não é o teu horizonte delineado.
O tempo da minha espera
Não é o tempo por ti esperado.

Dilato o espaço e comprimo o tempo.
Sequestro o passado e saboreio lembranças.
Projeto o futuro e transponho os sonhos.
Dois tempos possíveis em espaços iguais.

Perguntem a metafísica ou a teologia
Interpelem a filosofia que a tudo questiona
E elas dirão que no mundo das possibilidades
Aglomeram-se infinitas probabilidades
Não existe mais nada a ser descoberto
E sim a ser compreendido e liberto.
 
No cinzelar de seus versos
Há milênios, Salomão,  previa:
-“Nada há de novo debaixo do sol
O que foi, é o que há de ser;
E o que se fez, isso se tornará a fazer.”
            Jailda 09/12/2011

terça-feira, 4 de outubro de 2011

MULTIVERSO II - MÃE

    
Intermináveis teorias
denegam o que antes era irrefutável.
E para este fim infindável
quantas cabeças rolaram...
e quantos “nóbeis” desmistificados.
Dois corpos não ocupam o mesmo espaço”
Mas “num mesmo espaço
Coabitam tempos diferentes”.


Incoerente!?


Pois digo com propriedade, que,
Se rasgarem o coração de uma mãe
Verão todos os filhos unificados
Igualmente amados e alinhados,
No mesmo espaço e tempo.

Nas suas entranhas,
Dois ou mais corpos nutrem-se do
mesmo sustento.
Vidas crescem dentro de sua vida,
Onde palpitam mais de um coração,
Cérebros, espíritos e inteligências,
Numa única e milagrosa existência.


Se quiserem levem-me à julgamento
Que a ciência rasgue a minha teoria
Mas nunca encobrirá a veracidade dos meus versos.

Todo o universo feminino me absolverá
E toda mãe, por certo, me advogará.
P ois nosso ventre, no mesmo corpo,
espaço e tempo
É o céu, que sempre parirá multiversos.
Rio, setembro de 2011
J ailda Galvão Aires



quinta-feira, 29 de setembro de 2011

DANIEL JOAQUIM

Nossos filhos são herança
Alianças
Doces presentes de Deus
Coroas são nossos netos
Com afeto
Promessas vindas do céu.

Nasceu em dois de setembro
Novo membro
De uma família feliz
Anjos cantando louvores
De amores
Para o pequeno petiz.

Saiam todos os passarinhos
De seus ninhos
Arautos do céu.
Gorjeiem bem alto e forte
Sul a norte
Nasceu nosso Daniel

A primavera anuncia
Com poesia
Uníssona orquestração
Tudo se enche de canto
Como encanto
Na mais feliz comunhão

 Haja flores em teu caminho
Sem espinhos
Arco ires junto ao sol
Deus guiando tua vida,
Bem florida
Sendo Ele o teu farol.

Pela Tua imensidade
E bondade
Obrigado Deus fiel
Nossa família agradece
Numa prece
A vida de Daniel
02/09/2011


quinta-feira, 25 de agosto de 2011

QUEM PLANTA COLHE

   
                                          
                                                         
          A mágoa é dor que fica
          Espetando qual espinho
          Esquecer é a melhor dica
          Viver, o melhor caminho.
 
          A mágoa corrói a mente
          Tatuando cicatrizes
          Guardá-la é tão somente
          Alimentar as raízes.
 
          Quem te feriu nem recorda
          O grande mal que causou.
          Vive de novo! Acorda!
          O que passou, já passou.
 
           "Careta fica na cara
           De quem faz" - diz o ditado
           Segue em frente, não encara,
           O rosto do mascarado.
 
           Há duas estradas na vida.     
           Uma chove, outra faz sol.      
           Nunca te dês por vencida          
           A escolha é teu farol.  
            
            Ficar lembrando o desgosto
           É guardar lixo na mente
           Criando rugas no rosto
           Sem desfrutar o presente
 
           A dor que agora permeia,
           Passará é mais que certo.
           Quem ferir, a si golpeia.
           Disse o Mestre no deserto. 
  
           “É livre a plantação
           Obrigatória a colheita”
           “Cada ação - uma reação.”  
           Faz boa cama e se deita.       
                              Jailda Galvão Aires Rio, julho/2011

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

GARIMPANDO TROVAS -Saudade - (Diversos Autores)

“Sejam de amor ou saudade
de tristeza ou de alegria,
as trovas são na verdade
o ABC da poesia!”


“Saudade - palavra doce,
Que traduz tanto amargor
Saudade é como se fosse
Espinho cheirando a flor”

“Um longo olhar que se lança
Numa carta ou numa flor:
Saudade, irmã da esperança,
Saudade, filha do amor.”

“Saudade – ventura ausente,
Um bem que longe se vê,
Uma dor que o peito sente,
Sem saber como e porquê.”

“Saudade ponte encantada
Entre o passado e o presente
Por onde a vida passada
Volta a passar novamente!”

“Na mais estreita amizade,
Sem a menor cerimônia,
À noite tua saudade
Vem deitar com minha insônia”

“Quem sofre o mal da saudade,
Não acha  alívio um momento,
Pois tem perto a enfermidade,
E longe o medicamento”.

“Quanto mais a vida avança,
Mais eu fico a compreender,
Que a saudade é uma lembrança
Que se esquece de morrer.”

“Ah, saudade! Se te pego
me vingo sem compaixão!
Dou-te esta dor que carrego
sozinho no coração!”

“Vi teu retrato . . . Revivo
um velho amor que foi meu.
A saudade é um negativo
de foto, que se perdeu.”

“Lembra a saudade uma estrela,
Nas águas de um ribeirão
Que fica sempre a retê-la,
Enquanto as águas se vão”

“Saudade!... Foto em pedaços,
Que eu colei com mão tremida,
Tentando compor os traços
De quem rasgou minha vida!”

“Entre a tua e a minha idade,
Filho meu, quanta distância...
- És a infância da saudade!
- Sou a saudade da infância!”

“Saudade – estranha ilusão
Que a solidão recompensa;
Presença no coração
Maior que a própria presença!”

“Morre o amor... o espólio é feito...
Tudo partido em metade;
Minha, inteira, por direito,
Só ficou mesmo a saudade.”

“Velhice é um tempo que encerra
Saudades e desenganos.
Por isso é que Deus, na Terra,
Só viveu trinta e três anos!”

“Saudade, ninguém por certo,
A definiu desse jeito:
- Saudade é um mundo deserto
Que temos dentro do peito!”

“Saudade lembrança triste
De tudo que já não sou...
Passado que tanto insiste
Em fingir que não passou!”

Saudade doi mas consola.
Mesmo fazendo sofrer
Mas quem não pediu esmola
A saudade, pra viver?

quarta-feira, 29 de junho de 2011

MULTIVERSO I


Meu céu, agora finito
Não passa de um universo
Dentro de um multiverso         
Um pontinho onde habito.

E eu, tonta, acreditava,
Que fosse o multiverso
Um ramalhete de versos
Que o poeta rimava.

Girava todo o infinito
Nos pólos do meu poema
Como pode “Outro Sistema”
Deixar meu verso restrito

Multiplicaram as estrelas
Minha estrofe se encolheu
Me perdi, só em perdê-las.
Já não sei mais quem sou eu
              Rio, 28/06/2011

domingo, 19 de junho de 2011

Ana Lia

Anjinho barroco
Olhinhos de mar
Como podes ser tão linda,
Oh! Menina,
Como é belo teu olhar

Bonequinha de louça
Quem te escupiu assim?
Os pincéis que te pintaram
Se inspiraram
Nas rosas de algum jardim

Fui à Capela Sistina
Faltava um anjinho ali
Uma menina bonita
Num vestidinho de chita
- Eu disse que nunca vi

Bonequinha rosada
Sei onde te encontrar
Te esculpiram na Bahia
Com poesia,
Pra enfeitar o Paraná.
 Rio, 19/06/2011

terça-feira, 17 de maio de 2011

A MORTE DOS SENTIDOS


Plasmei todos os meus versos
Controversos
Liquefiz os meus porquês
Clonei minh’alma vazia
Sem poesia
Duplicando meu sorver

Triturei os meus espelhos
De tão velhos
Não refletiam meu olhar
Vedei todas as janelas
E sem elas
Nunca mais pude sonhar

Tendo meu corpo sulcado
Tatuado
Sem arremate ficou
As rugas como patente
Fere a gente
Como o espinho à flor.
Tapei as minhas narinas
Quais cortinas
Só os perfumes guardei.
São restos de primaveras
E quimeras
Do que vivi e amei.

Ensurdeci meus ouvidos
Sem ruídos,
O silêncio me envolveu
Só o rugido das feras
Reverbera
No que antes era eu 
       Rio, 18/05/2011

quinta-feira, 28 de abril de 2011

NO BICO DA CEGONHA (Graciela)

Venham todos os passarinhos,
Com seus ninhos,
Cantar em minha janela.
Quero a cegonha mais forte,
No seu bico, um curumim. 

Em volta da minha casa,
Tenho videiras frutíferas
E flores de oliveiras
Espalhadas no jardim.

Quero araras azuis,
gorjeios de sabiás.
Bando de andorinhas,
E pardais dourados,
Colibris pairando,
enamorados,
Beijando as flores
do meu pomar.

Quero anjos entoando hinos
ao som de lira
Chuvas de bênçãos
nevando ao vento
Translúcidas como a safira.

Quero gritar pro mundo
E louvar aos céus,
A bênção que recebemos
Promessa e graça de Deus.

Porque O tememos e O glorificamos
Em plenitude Ele nos honrou.
Deu-nos vida longa e filhos por herança,
E faz esta herança se multiplicar.

Veremos os filhos de nossos filhos
Como “brotos de oliveira”,
Em torno da nossa mesa,
Em volta do nosso lar.