quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Desencontros


Há uma saudade magoada pela ausência.
Espera feliz que não se fez chegar.
Rostos em sonhos de alegrias soltas.
Momentos breves de um sutil passar...
Aquela promessa de um outro dia,
No mesmo jardim, no mesmo lugar.
O encontro feliz em troca de poesias.


Findou a noite como todas findam.
O mesmo sol no céu se fez brilhar.
Naquela noite não houve mais encontros,
Sonhos desfeitos em ninhos de solidão.
Em cada olhar um eco que dizia:
- Com certeza ela se esqueceu...
- Ah! Se ele foi, não me perdoará.


Como a vida destrói castelos de areia....
O mesmo destino que nos fez reencontrar,
Saiu sutilmente, fugiu de mansinho.
Tornando paralelos os nossos caminhos.
Alargando a estrada que nos fez cruzar.



(Salvador. 08/1969)

Minha Mãe

  Minha mãe é tão bonita,
  Poema que os olhos dita
  Puro amor em profusão.
  Minha mãe é tão bonita
  Que mesmo o maior artista,
  Não lhe pinta a perfeição.

  Suas mãos tão calejadas,
  Escondem dedos de fada,
  Que o tempo não mudou não
  Trabalho luta, jornada,
  Suas mãos foram talhadas
  Pra servirem ao coração.

  Seus cabelos soltos, leves...
  Parecem fios de neve,
  Branquinhos como algodão,
  Nas marcas que a vida tece,
  São como contas de prece
  De um rosário de oração.

 Seu olhar negro profundo,
Em prece, pede que o mundo
Tenha mais paz e união,
Seu amor é oriundo,
Dá fé em Deus, que no fundo,
Enobrece-lhe o coração.

 Minha mãe que embalou berços,
Seus conselhos, não me esqueço,
E sigo-os sem hesitação.
Orando com todo apreço,
Em prece, a Deus agradeço.
Minha mãe, minha canção.

 
Minha mãe é mais bonita
Hoje, aos pés do Grande Artista,
O “EU SOU” da Criação.
Na Cidade Prometida,
Todo o esplendor ela fita,
Na mais feliz comunhão.