segunda-feira, 24 de setembro de 2012

...SE...


  
Quem choraria se eu hoje partisse
Se sumisse ou se eu expirasse,
Com um só bilhete eu viajasse
E de repente sem que ninguém visse
Eu desembarcasse.

Se eu, invisível, sob um áureo manto
Ninguém me acharia se me procurasse,
Ninguém me veria se me encontrasse
E num encanto só por desencanto,
Nunca mais voltasse...

Alguém impediria se um cavalo alado
Ou uma nave louca me arrebatasse
E se na liberdade eu me encontrasse
E amasse tanto o céu estrelado
Que por lá ficasse?

Navegando pelo espaço afora
Se lá do alto eu pra terra olhasse
E ninguém do meu rosto se lembrasse
Por mim, nenhuma lágrima rolasse.

Na certeza, jamais eu voltaria
Na incerteza, nunca partiria
Talvez nem pensasse.
      Jailda,  24/02/2012

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

AQUILATANDO MINHAS TROVAS - MENSALÃO (Jailda Galvão Aires)

















A flor de lótus, da lama,
Tira o branco que irradia
O Ministro que declama,
Do lodo, faz poesia.

Ayres Britto, o presidente,
Junto à Corte Suprema
Mostra ao povo, bravamente
-Para a “Lei” não há esquema.

Não só cabe ao presidente
Julgar o vil “mensalão”.
De onze votos depende
Para tê-los na prisão.

Davi enfrenta Golias,
Perante a Corte Suprema,
Que acerte a pontaria
Com “funda” justiça extrema

Quer definir “mensalão”?
Aprenda o novo clichê:
sanguessugas, cuecão,
vergonhoso dossiê...

Mensalão, termo criado,
Pra definir “desgoverno”
Parlamentares comprados,
Para apoiar o governo.

Se o “fiel” da justiça
For por um vil, corrompido,
Pode pesar qual cortiça,
Ou a chumbo derretido.

“Podre de rico” é o Brasil
Mas também “rico de podres”
Nada muda no covil.
"Vinho novo em velhos odres"

Pulou fora o peixe grande
Da rede do “mensalão”
Numa marola se esconde
Bem longe da podridão.
                            Jailda Galvão Aires








quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

SALMO 128 (Canção da Família)




Todo aquele que teme e segue a Deus
Colhe infinitas bênçãos dos céus.
Nutre-se dos frutos do seu trabalho,
Fonte de alimento e agasalho.

Rico vinhedo é a sua amada
Adorna com doçura a sua casa,
Dá-lhe filhos é sábia e feliz.
Trabalha com amor e ao céu bendiz.

Seus filhos são herança do Senhor.
Sólidos brotos de oliveira em flor.
Fortes, diligentes e companheiros,
Transbordam de alimentos os celeiros.

Com a família ao redor da mesa,
Ele agradece ao Pai tanta riqueza.
Por galardão, longa vida terá,
E os filhos de seus filhos ele verá.
    Versão de Jailda Galvão Aires ( Rio, 01/01/2012)