terça-feira, 31 de julho de 2012

AQUILATANDO MINHAS TROVAS (Jailda Galvão Aires)



"Um peso, duas medidas"
É o que mais prolifera.
Num país de homicidas
Muita injustiça impera.

A justiça tem dois lados
No seu poder de julgar.
Para uns pega pesado,
A outros, deixa escapar.

Só uma justiça é nobre
E julga com equidade
Tanto o rico como o pobre
É Deus, na sua bondade.

Só existe uma justiça
Que ninguém pode escapar
Quem semeia a injustiça
Com certeza irá ceifar.

A verdadeira justiça
É a lei de causa e efeito,
Quem comete uma injustiça
Pagará do mesmo jeito.

A justiça não é cega
E nem é surda também.
O que quer ver, ela enxerga
E escuta muito bem.

“Podre de rico” é o Brasil
Mas também “rico de podres”
Nada muda no covil .
"Vinho novo em velhos odres" 

Saudade dói, mas consola,
Mesmo fazendo sofrer,
Ainda vivo de esmola
Do passado, para viver.

Se a saudade te espinha,
Não reprimas o recordar.
Quem esta dor, não aninha,
Nada tem para contar.

Dizem que águas passadas
Jamais removem moinho.
Mas saudade, esta danada,
Volta sempre de mansinho. 

Faz pouco caso a saudade
Com o passado da gente
Centrifuga com vontade
A dor que o peito sente

Ah saudade se te pego
Vingar-me-ei aos pouquinhos
Ponho veneno num prego
Te martelo de mansinho.

Saudade eterna presença
Que tanto quero esquecer.
É congênita doença,
O que fiz por merecer?
Se penso logo existo.”
Não sei equacionar.
Há quem pense abstraído
E quem viva sem pensar.

“Ser ou não ser: eis a questão”
Depende a escolha que faça.
Ter ou não ter é a razão,
De tanto orgulho e desgraça. 

Se pensar prova que existo,
Beliscar prova também.
Não posso provar com isto,
Se pensar me faz tão bem.

Não lembrar que te esqueci
Foi a minha indiferença
Pois matar deixando vivo
É a pior das sentenças

“Água mole em pedra dura,
Tanto bate até furar.”
Quem responde com brandura,
Faz o outro se acalmar. 

Já tive beijos roubados
E confesso que gostei
Só me arrependo de fato
Dos beijos que não roubei.

Fingi não corresponder
Ao beijo que me roubaste
Fez o meu corpo tremer
É pena que nem notaste.

Se “é doce morrer no mar“
Quero viver bronzeada,
Minha epiderme queimar
Na “doce” água salgada.

Quem tem telhado de vidro,
Não fale mal de ninguém,
Pode um caco de anidro
Cortar-lhe a língua também.

Dar-se sem olhar a quem
É uma grande virtude,
Pois dar a quem te faz bem
É só troca de atitude. 

Ficar lembrando o desgosto,
É guardar lixo na mente,
Criando rugas no rosto
Sem desfrutar o presente.