sábado, 25 de julho de 2015

SAGA DOS NORDESTINOS

             
Por horizonte: poeira.
Terras secas e rachadas,
Quebrando pás e enxadas,
Sem cerca, eira e nem beira.
         Somente o sol por fronteira,
         Castiga, queima, inferniza,
         Nenhum bafejo de brisa,
         Só o gemer das porteiras.



        Já não existem parreiras,
        Nem sombra, água ou abrigo.
        Só um imenso jazigo,
        De animais em fileiras.
        Vazias, as algibeiras,
        Nos ombros secos de um forte,
        No chão - carcaça e morte.
        No céu - aves carniceiras.

 
         A fome leva à cegueira,
         À criança – qual palito.
         Neste deserto maldito,
         Só raízes na chaleira.

         O gado morrendo à beira
         De um lodoso sequeiro.
         Nem mato ou capim rasteiro,
         Só fome, dor e caveira.
Comendo caça e poeira.
Coração triste, ofegante,
Enrrugam os pés e a fronte,
Nem sentem a dor costumeira.
Numa prece derradeira,
Erguem as mãos ao infinito,
Ninguém escuta o seu grito,
Cala o céu e a terra inteira. 

-Só nos resta uma maneira:
Sampa ou Rio de Janeiro,
Lá a gente faz dinheiro
Nossos guris faz carreira
Nós volta. Vai que Deus queira.” 
- Ilusão filha da peste!
Não voltam mais pro nordeste
Viram escravos de empreiteira

Há uma ascensão herdeira,
De uma elite que se elege.
Mas só aos bancos protege,
Cuecas, meias e carteiras.
Compram as suas cadeiras,
Fraudando a “indústria da fome.”
Nas urnas um - novo nome
A manchar nossa bandeira.
             Jailda Galvão Aires