sábado, 8 de agosto de 2015

CLONANDO O MEU PAI-essa

    
Brinquei de Deus e um homem então criei:
Forte, valente, intrépido e audaz.
Não um Adonis  nem tão pouco um rei
Mas nele havia de algo, muito mais. 


Não tinha a força hercúlea de Sansão,
Nem de Davi vencendo os Filisteus
Teria sim a força de um  leão
Ao defender a casa e os filhos seus 


Não faria  em honra um só monumento.
Não seria  rei ou grande imperador,
Ergueria, sim, o mais nobre intento:
 -Um lar honrado onde reinasse o amor.

Por sobre o peito não teria medalha,
Nem distintivo sobre o coração.
A justiça nesse mundo falha,
Não premiando um grande cidadão, 


Olhem suas mãos - da incessante lida,
Contem os calos, e, assim verão,
Medalhas e troféus, que a própria vida,
Como prêmio, bordou em cada mão.


Não teria fama e nem também riqueza.
Colheria frutos de tudo o que plantou
Ao caminhar  diriam com certeza:
- Eis que passa na rua um vencedor. 


Não seria arrogante, nem pretensioso,
Forte e seguro em tudo o que fizesse
Bom companheiro e amigo generoso.
- “Servir” seria a sua melhor prece!


Se a dor, esta cruel inimiga,
Por  vezes, lhe ferisse o coração,
Blasfemaria o que lhe castiga,
Sem perder a fé ou mesmo a razão. 


Amaria os filhos mais que a própria vida
E a esposa - companheira amada,
Reconhecendo que a mulher querida,
Lutou com ele de igual, nessa jornada. 


Embalaria os filhos numa rede branca
Cantando valsas à luz de um candeeiro
Aconchegando cada um em sua cama...
Tangendo insetos em cada mosqueteiro 


Faria brinquedos, casinhas pequeninas,
Carrosséis, gangorras, cavalinhos de pau.
A mais alta fogueira, nas noites juninas!
E a melhor festa nas noites de Natal! 


Assim, brinquei de Deus inteiramente,
-Grande surpresa que de mim não sai!
Clonada estava, ali na minha frente...
-A essência viva, de você, meu pai.

   Jailda Galvão Aires   (Rio, 11/08/2008)